Consumidor de baixa Renda 1/4
fevereiro 26, 2010 No CommentsQuem são e o que Pensam
No Brasil, de acordo com dados do IBGE, são consideradas de baixa renda as classes D, com poder de compra entre 2 a 4 salários mínimos, e a C2 (de baixa média renda), de 4 a 8 salários mínimos. Esses mesmos dados mostram que, juntas, elas representam nada menos do que 45% dos lares urbanos brasileiros – ou seja, 19 milhões de domicílios.
Porém, cerca de 30 milhões de domicílios possuem renda familiar inferior a R$ 1200,00, correspondendo a 60% dos domicílios no Brasil. Estes 60% dos domicílios detém menos de 20% da renda total e gastam, em média, 20% do seu orçamento em produtos alimentícios (representando 33% do total do faturamento do mercado de alimentos no país).
A princípio, tal representatividade, aliada ao fato de, em média, cada família dispor de apenas 35 reais para gastar ao dia, mostra que o poder de consumo individual dessas classes é muito baixo. No entanto, se for levado em conta seu consumo total, os números se tornam muito elevados e explicam o aumento do interesse de empresas de diversos setores em estarem presentes no universo destes consumidores.
Dentre os domicílios de baixa renda, predomina o perfil de lares com crianças de até 5 anos e a grande maioria dos chefes de família terem o primário incompleto. Interessante também mencionar que 40% da população de classes D e E são pardas o que já indica uma tendência na busca de compra de produtos e cosméticos específicos.
Em função da proliferação da informalidade de emprego, a entrada de renda no domicílio é inconstante, favorecendo as várias visitas ao supermercado (2 a 3 vezes por semana). Por não terem veículo próprio, a opção de varejo é a pequena loja da vizinhança (ainda que paguem mais caro pelos produtos, o consumidor economiza no transporte).
O crescimento do consumo das classes de baixa renda vem acontecendo desde a implantação do plano Real, que trouxe uma maior estabilidade econômica e a possibilidade de acesso a crediários, fatos que favoreceram o aumento do poder de compra. Programas do governo como Bolsa Família aliado a este crédito facilitado completam o cenário para o boom de consumo deste mercado consumidor. Porém como conseqüência do amadurecimento do mercado, os consumidores estão também mais exigentes.
Não devemos ser preconceituosos ao lidar com este público que admira programas de televisão ‘populares’ como o Programa do Ratinho (SBT) e lêem jornais que utilizam linguagens mais informais e de fácil entendimento. Este público não necessariamente tem mau-gosto ou gosta do brega e certamente não se contenta com baixa qualidade, mas não significa também que possuir produto “de burguês” é o desejo deste público. Trata-se de um grupo com valores conservadores tais como família, honra, justiça e honestidade. Têm a necessidade de se sentirem incluídos e respeitados, apesar de sua condição financeira, têm o hábito de se socializar e valorizam muito o contato olho no olho. A empresa capaz de compreender e assimilar estes valores de comportamento consegue ocupar um lugar de destaque “no coração” deste consumidor (Exemplo: Casa Bahia e Lojas Marabrás).
Por: Renato Dabul Gomes
Gestão & Finanças, Novidades
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